segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Uma pequena vida.

Uma pequena vida.

Logo que ele chegou aqui em casa eu disse que não o queria. Meu coração já estava triste pela ausência de um velho amigo que se fora, eu não queria saber de mais nenhum outro. Foi a primeira vez que recusei cuidar de um gato, ainda mais abandonado, magrelo e muito faminto. Lembro-me do primeiro pedaço de carne nas suas patas, era como se fosse o ultimo bocado de comida no mundo.

Lógico que o pequeno gato queria mais comida, então ficou em casa esperando por mais. O bicho era feio, ô gatinho feio! Era fácil contar suas costelas e ao mesmo tempo uma barriga redonda, quase pra estourar de tanto comer, seu rabo parecia linha de costura balançando, a cabeça carregava um par de orelhas que era quase o tamanho da cabeça. Não pensei duas vezes e apelidei o gato de “Dumbo”.

Foi com o tempo que eu aprendi a gostar do orelhudo. Quem não iria gostar de um gato brincalhão? Tão elétrico que fizera cogitar sua sanidade. Mesmo com o tamanho de um gato adulto ele continuou alegre. Meu pai que nunca gostou de gatos chegou a brincar com ele. E o mais interessante é ver o feio virar bonito. Não foi só a forma de vê-lo que mudou, ele de fato mudou.

A orelha grande ficou normal e o rabo fino ficou grande e bonito. O filho da mãe fazia questão de mostrar a sua calda, balançava sempre, como se estivesse desenhando no vento. Mas como nem tudo são rosas, a idade o transformou num gato brigão e pidão. Quando dava na telha batia em quem tivesse na frente, até nos donos. Mas apesar de ser louco era um gato respeitador da comida alheia. Podia ter comida na mesa ou no fogão, ele sempre esperava aparecer alguém pra miar e perseguir até conseguir.

Hoje (07/08/14) fui inventar de dormir no chão da sala e quando acordei de manhã cedo, lá estava o Dumbo do lado. Empurrei o gato pro meu pai não o ver dormindo comigo. Voltei a dormir mais um pouco e ao acordar lá estava o felino encolhido ao meu lado. Só que dessa vez meu pai o viu e tirou com tapas de soldado.

Minutos depois acordei e fui em direção ao banheiro, lá próximo encontrei meu amigão deitado, morto por envenenamento... ...

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